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Assinatura eletrônica3 min de leitura

Assinatura eletrônica na odontologia: o que diz a Lei 14.063/2020

Dá para colher a assinatura do paciente no celular e ter validade jurídica? Sim — e em muitos casos é mais fácil de comprovar do que o papel. Entenda os tipos de assinatura eletrônica e qual usar em contratos e TCLE.

VL
Victor Lambert
Advogado · revisado pela equipe jurídica
Atualizado em 17 de jun. de 2026

Sim, a assinatura no celular vale

A dúvida é comum: colher a assinatura do paciente na tela do celular tem o mesmo peso de uma assinatura no papel? Tem. Para a maioria dos atos, o Código Civil não exige forma especial (art. 107), e a MP 2.200-2/2001 admite expressamente a assinatura eletrônica feita fora da ICP-Brasil, desde que aceita entre as partes (art. 10, §2º). O que importa para a prova não é o suporte (papel ou tela), e sim conseguir ligar a assinatura à pessoa e garantir que o documento não foi mudado depois.

Em muitos casos, o digital é até mais defensável. Uma assinatura manuscrita prova pouco sobre quando foi feita; uma assinatura eletrônica bem colhida carrega data, identificação e registro de quem assinou.

Os três tipos de assinatura eletrônica

A Lei 14.063/2020 organiza a assinatura eletrônica em três níveis, do mais simples ao mais robusto. Vale um esclarecimento: essa lei foi editada para o setor público (art. 2º) e não é, por si, o fundamento da validade na relação privada entre clínica e paciente — mas a classificação que ela traz dos tipos virou referência prática também fora dele.

  • Simples — identifica o signatário de forma básica (ex.: um aceite com login). Útil para atos de baixo risco.
  • Avançada — vincula a assinatura ao signatário por meios a ele associados e permite verificar qualquer alteração posterior. É o nível adequado para contratos e TCLE.
  • Qualificada — usa certificado digital ICP-Brasil. Exigida em situações específicas previstas em lei.

A assinatura eletrônica avançada é a que utiliza certificados não emitidos pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovação da autoria e da integridade de documentos em forma eletrônica, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o documento.

Lei 14.063/2020, art. 4º, II

Qual usar em contrato e TCLE

Para a relação clínica — contrato de prestação de serviços e TCLE —, a assinatura avançada costuma ser o ponto de equilíbrio: tem força probatória sólida sem a fricção de exigir certificado ICP-Brasil do paciente.

O nível certo é o que você consegue comprovarMais importante do que o nome do tipo de assinatura é o que fica registrado: identificação do paciente, data e hora, IP e dispositivo, e a verificação de que o documento assinado é o mesmo que está guardado. É esse conjunto que sustenta a prova.

Da assinatura à prova

A assinatura eletrônica é uma peça do conjunto maior que defende você. Sozinha, ela diz que o paciente assinou; combinada com data confiável e integridade, ela vira prova de quando e do quê.

  1. Identifique o signatário
    Ligue a assinatura ao paciente — dados, acesso ao link, confirmação. Sem isso, a assinatura não se atribui a ninguém.
  2. Registre a trilha de auditoria
    Data, hora, IP e dispositivo. É o que responde a "quem assinou e quando".
  3. Garanta a integridade e a anterioridade
    Verificação de que o documento não mudou e carimbo do tempo que prove que ele existia antes do problema — o tema do dossiê probatório.

É por isso que colher a assinatura do paciente leva minutos e resolve, de uma vez, autenticidade e integridade. Doczou, a prova já nasce pronta.

Principais conclusões
  • Na relação clínica–paciente (privada), a validade da assinatura eletrônica vem do Código Civil e da MP 2.200-2/2001 — não da Lei 14.063/2020, que rege o setor público e serve aqui só para classificar os três tipos.
  • Para contrato e TCLE, a assinatura avançada costuma bastar e dispensa certificado ICP-Brasil.
  • Com data, identificação e trilha de auditoria, o digital é mais comprovável que o papel.

Perguntas frequentes

A assinatura do paciente no celular vale como a do papel?

Sim. Numa relação privada como a da clínica com o paciente, a validade vem do Código Civil — que não exige forma especial para a maioria dos atos (art. 107) — e da MP 2.200-2/2001, que admite a assinatura eletrônica fora da ICP-Brasil quando aceita entre as partes. (A Lei 14.063/2020, muito citada, rege o setor público — art. 2º.) O que dá força à prova é a possibilidade de atribuir a assinatura ao paciente e de verificar a integridade do documento — algo que a assinatura avançada, com identificação e registro, oferece.

Preciso de certificado digital ICP-Brasil para o paciente assinar?

Para contratos e TCLE odontológicos, em geral não. O certificado ICP-Brasil é próprio da assinatura qualificada, exigida em situações específicas. A assinatura avançada, sem certificado, atende à maioria dos atos da relação clínica.

O que torna a assinatura eletrônica difícil de contestar?

A combinação de identificação do signatário, registro de data e hora, captura de IP e dispositivo e verificação de integridade do documento. Esse conjunto compõe uma trilha de auditoria que liga a assinatura à pessoa e mostra que o documento não foi alterado depois.

Fontes e referências

  1. 1.Código Civil, arts. 107 e 225 — liberdade das formas (a validade da declaração de vontade não depende de forma especial, salvo quando a lei a exigir) e força probatória das reproduções eletrônicas não impugnadas.
  2. 2.Medida Provisória 2.200-2/2001, art. 10, §2º — admite a assinatura eletrônica fora da ICP-Brasil como meio de comprovar autoria e integridade, desde que aceita pelas partes.
  3. 3.Lei 14.063/2020, art. 4º — classifica a assinatura eletrônica em três tipos: simples (I), avançada (II) e qualificada (III).
  4. 4.Lei 14.063/2020, art. 2º — delimita o âmbito da lei ao setor público; por isso não é o fundamento da validade na relação privada entre clínica e paciente.
  5. 5.Código de Processo Civil — art. 369 (admissibilidade ampla dos meios de prova legais) e art. 411, II (autenticidade do documento cuja autoria seja identificada por meio legal de certificação, inclusive eletrônico).

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado.

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Escrito por
Victor Lambert
Advogado · OAB/SP 447.125 · Direito civil e do consumidor

Advogado atuante em direito civil, do consumidor e bancário, com prática em juizados especiais, execuções de títulos e demandas de saúde, como o custeio de tratamentos.

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